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Educação já no berçário

Afinal, o que você quer?
Eu só quero que não aconteça nada com o meu filho. – Marlin (pai do Nemo)
Nada! Que pedido estranho... – Dory
(Finding Nemo – Procurando o Nemo 2003)


O diálogo travado pelos personagens explicita uma das mais importantes questões quando os pais começam a procurar alternativas como creches, babás, berçários e avós, para os filhos. De modo geral, a visão dos pais está baseada na idéia de encontrar alguém que cuide, alguém que evite que o filho sofra acidentes. Essa visão é tão arraigada na sociedade brasileira, que a Leis de Diretrizes Básica da Educação, (LDB) distingue entre creches e pré-escolas, sendo a função das primeiras cuidar, e somente do segundo grupo, educar. O verbo cuidar, curiosamente nasce do latim, curare, associado também com a idéia de curar, por em tratamento, tornar saudável. Entretanto, a maioria dos pais está pensando como o pai de Nemo, preocupados em encontrar alguém que evite qualquer experiência perigosa para os filhos, preocupados em proteger, mas não em desenvolver.

Por outro lado, não são poucos os estudos que mostram como o desenvolvimento de áreas como cognição e linguagem ocorre muito cedo. Aparentemente é exatamente nos primeiros anos que o cérebro humano desenvolve-se como nunca mais fará.

Isso levanta a seguinte questão: “Estão Avós, babás, creches e berçários preocupados com isso?”. O ponto principal aqui, é exatamente que cuidar, ou seja, alimentar, dar banho e realizar trocas, é tarefa simples, a tarefa complexa é estimular, brincar, desafiar e instigar as crianças, mesmo as mais novas.

É verdade que as crianças são relativamente auto-suficientes em buscar estímulos, e aprenderão muito com eventos que para nós passam despercebidos, como um rádio ligado, uma textura diferente dentro do berço, o contato da mão com um rosto humano, ou um banho de água quente. No entanto, também é verdade que, a preocupação com variar os estímulos em atividades como cantar músicas junto com a criança, apresentar brinquedos diversos, ter contato com outras crianças e pessoas, realizar jogos de movimento, mudar o neném de posição, apresentar noções de organização, entre outras atividades, fará pelo desenvolvimento do seu filho, mais do que uma pós-graduação 25 anos mais tarde.

Assim, ao escolher entre essas opções leve também esse aspecto em consideração. É claro que nenhuma mãe ficará tranqüila se a avó fuma junto da criança, se a babá coloca a criança em cima da pia e sai do cômodo, ou quando as instalações do berçário não são higiênicas, por outro lado, uma mãe deve também verificar se babá, avó ou berçário, preocupam-se com atividades de estimulação. Um bebê com mais de seis meses que passa o dia todo no berço, não está protegido, está ao contrário, ameaçado.

O portal Berçário e Escola trará atividades de estimulação e outras idéias para você saber mais.

Carlos Lavieri

Para saber mais: Thereza Montenegro Educação infantil: a dimensão moral da função de cuidar Psicologia da Educação